A vaginose bacteriana (VB) é o distúrbio vaginal mais comum entre mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 1 em cada 4 mulheres no mundo. Apesar de frequente, ainda é cercada de dúvidas e tabus. Neste artigo, reunimos as evidências científicas mais recentes sobre o que causa a vaginose, por que ela volta com tanta frequência e quais estratégias de prevenção realmente funcionam. Para quem usa o Levvi para acompanhar sintomas do ciclo, entender a VB é um passo importante no autocuidado.

O que é a vaginose bacteriana e por que ela é tão comum

A vaginose bacteriana é um desequilíbrio da microbiota vaginal em que bactérias protetoras, como os lactobacilos, são substituídas por microrganismos associados à VB. Segundo uma meta-análise publicada em 2019, a prevalência global varia de 23% a 29% dependendo da região, sendo mais alta no Sul da Ásia (29%) e na América do Norte (27%).1

Um artigo de revisão de 2025 na Nature Reviews Disease Primers destaca que, apesar da alta prevalência, o agente causador exato permanece desconhecido. A VB está associada a maior risco de ISTs, parto prematuro e impactos na qualidade de vida. No Levvi, registrar sintomas como corrimento e desconforto ajuda a identificar recorrências com mais clareza.2

Por que a vaginose bacteriana volta: o problema da recorrência

A recorrência é o maior desafio no manejo da vaginose bacteriana: mais de 50% das mulheres tratadas com antibióticos apresentam novo episódio em 3 a 6 meses. A revisão de Bradshaw et al. (2025) aponta que o tratamento convencional elimina os sintomas, mas frequentemente não restaura a microbiota protetora dominada por lactobacilos.2

Fatores como relações sexuais desprotegidas, uso de duchas vaginais e tabagismo aumentam o risco de recorrência. Evidências recentes também sugerem que o parceiro sexual pode funcionar como reservatório de bactérias associadas à VB, reintroduzindo-as após o tratamento. Usar o Levvi para registrar o ciclo e sintomas ao longo dos meses pode ajudar a perceber se há um padrão temporal nas recorrências.

Tratar o parceiro reduz recorrência: o que diz o estudo do NEJM

Um ensaio clínico randomizado publicado em 2025 no New England Journal of Medicine testou uma abordagem inovadora: tratar simultaneamente o parceiro masculino com antibióticos orais e tópicos. No estudo com 164 casais, o grupo em que o parceiro recebeu tratamento teve redução significativa na recorrência de VB em 12 semanas, comparado ao grupo de tratamento convencional apenas da mulher.3

Esse resultado reforça a hipótese de transmissão sexual da VB e abre caminho para novas diretrizes de tratamento. O estudo é considerado um marco porque muda a perspectiva de que a VB seria apenas um desequilíbrio endógeno. Para mulheres que lidam com recorrências frequentes, levar essas informações ao ginecologista pode fazer diferença no plano de tratamento.

Probióticos na prevenção: lactobacilos como aliados

O uso de probióticos para prevenir recorrências de VB tem evidências promissoras. Um ensaio clínico de fase 2b publicado no NEJM em 2020 mostrou que o uso vaginal de Lactobacillus crispatus (Lactin-V) após tratamento com metronidazol reduziu a recorrência de 45% no grupo placebo para 30% no grupo tratado, ao longo de 12 semanas.4

Uma revisão sistemática de 2025 analisou 16 ensaios clínicos randomizados e confirmou que probióticos contendo espécies de Lactobacillus apresentam benefícios como terapia adjuvante, embora a dosagem e duração ideais ainda estejam em debate. A dieta também influencia: alimentos ricos em fibras e fermentados favorecem a microbiota intestinal e, indiretamente, a vaginal. No Levvi, o rastreamento de hidratação e bem-estar complementa essa visão integrada de saúde.5

Como prevenir a vaginose bacteriana no dia a dia

A prevenção da vaginose bacteriana envolve hábitos que protegem o equilíbrio da microbiota vaginal. Evitar duchas vaginais é uma das recomendações mais consistentes na literatura, já que elas eliminam lactobacilos protetores. O uso de preservativo reduz a exposição a bactérias associadas à VB, especialmente relevante considerando as evidências de transmissão sexual.

Manter uma alimentação equilibrada, rica em fibras e probióticos naturais, contribui para a saúde da microbiota como um todo. Cessar o tabagismo também é um fator protetor relevante. Para quem já teve VB recorrente, discutir com o médico o tratamento do parceiro e o uso de probióticos vaginais após antibióticos são estratégias com respaldo científico crescente.

Conclusão

A vaginose bacteriana é extremamente comum e sua recorrência continua sendo um desafio clínico. Porém, avanços recentes como o tratamento do parceiro e o uso de probióticos específicos trazem novas perspectivas de prevenção. Conhecer os fatores de risco e manter um registro dos sintomas ao longo do ciclo, como o Levvi oferece, são formas práticas de assumir protagonismo na própria saúde. O mais importante é buscar orientação médica e não normalizar desconfortos recorrentes.